quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CONVECER A AMAR


Com o passar dos anos fiquei cético em relação à possibilidade de alguém ter a capacidade de fazer com que outra o ame através dos seus atos e palavras.
Cada vez mais sinto que nos apaixonamos à primeira vista ou por alguém com quem não temos muito contacto ou ainda por alguém com quem há muito perdemos o contacto. Depois disso o amor desenvolve-se e pode ser duradouro.
Julgo que tudo o que vem, gira em volta da essência que captamos da primeira vez ou após um longo período de ausência de contacto, essa essência que nos faz apaixonar de imediato, serve para nos distrair e até para nos levar a outro tipo de afeto, positivo ou negativo.
Quero eu dizer que alguém se apaixona por outra pessoa logo nos primeiros contatos ou não se apaixona de todo se mantiver o contacto. A menos que a outra pessoa faça algo de extraordinário ou seja alguém extraordinário, singular, e que essa característica só seja captada com o tempo.
Nada me comprovou que a argumentação, a simpatia, e todos os encantos e gestos românticos que alguém tiver pode levar alguém que já se conhece há algum tempo, pelo menos alguns meses, a apaixonar-se por nós.
A paixão nasce do primeiro contacto. De uma empatia, de uma atração pouco racional mas antes extremamente emocional ou mesmo física. Pode não ser captado de imediato., percebido, racionalizado, mas terá de ter surgido e indo crescer e sendo mais evidente com o passar do tempo.
Daí que a expressão ‘’andar atrás’’ comece a cair em desuso pela sua pouca utilidade. A tradicional ‘’fazer a corte’’ poucos efeitos práticos tem hoje em dia. Estatisticamente devem ser os poucos casos de sucesso de alguém que tentou através dos seus atos ou gestos românticos seduzir quem ama. Pelo contrário muitos constataram desanimados que alguém chegou, viu e venceu. Ou seja, que houve alguém que caindo de pára-quedas e vindo sabe-se lá de onde, acabou por ser o objecto de paixão da pessoa amada. E porquê? Porque o amor não escolhe, não é racional, é empático.
Infelizmente para muitos, ou têm a sorte de serem correspondidos logo à primeira ou o que lhes resta é um longo caminho de desilusões e depressões até que o tempo os faça minorar a tristeza e estejam então prontos para acolher uma nova paixão.
A verdade é esta: NÃO PODEMOS CONVENCER NINGUÉM A NOS AMAR! O amor terá que vir de dentro e não imposto por fora! Podemos chorar, implorar, suplicar, podemos escrever os mais belos textos de amor, dizer as mais belas declarações, que tudo será inútil. Não é o nosso amor que está em causa, não é o nosso amor que tem de ser comprovado, assegurado, jurado, é o SEU AMOR (do outro), que existe ou não existe!
E quanto à paixão perdida? Ao amor morrido? Eu não sei se o amor, se é verdadeiramente amor e não uma mera paixão, alguma vez morre.
Vejo que em muitos casos ele é deixado para trás por critérios racionais, porque o amor pode não trazer a felicidade, sobretudo quando não é correspondido ou não o é na mesma intensidade.
Quando aparece de verdade perdura no tempo e só algumas circunstâncias excepcionais o poderão diminuir.
Desaparecer? Julgo que nunca. O que não é maior consolo para quem ama. Se por alguma razão ele é rejeitado por quem o sente, então valerá tanto quanto a ausência desse mesmo amor.
Haverá esperança sim! No amor a esperança é ainda maior que na vida e poucos desistem dele tão facilmente quanto desistiriam da própria vida mas pode ser uma luta inglória e vazia de sentido quando há já tão pouco a ganhar e tanto a perder.
Mas eu falo por mim! Estes são os meus momentos, os meus sentidos. Só posso falar da vida que vivi! (Paulo Caiado em Um Momento Meu)

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